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Ecossistema Econômico do Tereré: Da Tradição Tupi Guarani à Microeconomia Sustentável

O tereré representa mais do que uma bebida tradicional; constitui um complexo ecossistema econômico que integra cultura ancestral, inovação produtiva e desenvolvimento sustentável[1][2][3]. Esta análise examina como produtos artesanais derivados do tereré criam oportunidades de renda que variam de R$ 10,00 a mais de R$ 1.000,00, estabelecendo uma microeconomia descentralizada com potencial transformador para comunidades rurais[4][5][6].

Fundamentos Culturais e Históricos

Patrimônio Cultural Tupi Guarani

O tereré possui raízes profundas na cultura indígena, sendo reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2020[2:1][7]. Na língua tupi-guarani, a erva-mate é conhecida como “ka’a” ou “ka’ay”, onde “ka’a” significa “erva” e “y” significa “água”, formando o conceito de “bebida de erva”[8]. Esta herança cultural agrega valor simbólico significativo aos produtos artesanais, diferenciando-os no mercado nacional e internacional[9][10].

Cena tradicional da cultura do tereré com produtos artesanais

Cena tradicional da cultura do tereré com produtos artesanais

A tradição do tereré transcende o simples consumo de uma bebida, representando um ritual de convivência social e conexão espiritual[3:1][9:1]. Esta dimensão cultural constitui a base para a agregação de valor em produtos personalizados e colecionáveis, justificando preços premium no mercado de economia criativa[5:1][11].

Cadeia Produtiva da Cabaça

Ciclo de Cultivo e Viabilidade Econômica

O cultivo de cabaça apresenta características econômicas excepcionais, com investimento inicial de apenas R$ 10,00 em sementes gerando retorno de 10 cabaças em aproximadamente 100 dias[12][13]. A produtividade varia significativamente conforme o tipo cultivado, com cabaças de casca fina alcançando até 12.000 frutos por hectare e retorno sobre investimento (ROI) de 275%[13:1][14].

Evolução dos custos e geração de valor durante o ciclo de cultivo da cabaça

Evolução dos custos e geração de valor durante o ciclo de cultivo da cabaça

O ciclo completo de produção, desde o plantio até o beneficiamento, estende-se por aproximadamente 195 dias, com custos acumulados de R$ 40,00 e valor produzido de R$ 200,00 por unidade processada[12:1][13:2]. Este modelo demonstra sustentabilidade econômica mesmo em pequena escala, com produtores operando em áreas de 1.000m² obtendo lucros líquidos entre R$ 1.650,00 e R$ 2.200,00.

Diversificação de Produtos e Agregação de Valor

A transformação da cabaça em produtos artesanais cria uma cadeia de valor progressiva, começando com cuias naturais básicas e evoluindo para peças personalizadas de alto valor[15][16]. O mercado brasileiro de artesanato movimenta R$ 50 bilhões anuais, empregando cerca de 10 milhões de pessoas, demonstrando o potencial econômico do setor[17][5:2].

Progressão de valor dos produtos de tereré desde básicos até colecionáveis

Progressão de valor dos produtos de tereré desde básicos até colecionáveis

Os produtos derivados do tereré organizam-se em categorias distintas: básicos (R$ 8-35), intermediários (R$ 45-85), premium (R$ 65-300) e colecionáveis (R$ 500-1.200)[4:1][15:1]. Esta segmentação permite atender diferentes perfis de consumidores, desde usuários cotidianos até colecionadores e turistas em busca de autenticidade cultural[6:1][18].

Estrutura de Mercado e Oportunidades

Economia Criativa e Valorização Regional

A economia criativa brasileira posiciona o país na 54ª posição no ranking mundial dos Índices Globais de Criatividade, sendo o segundo na América Latina[5:3]. O artesanato, como segmento da economia criativa, beneficia-se da crescente demanda por produtos autênticos e culturalmente significativos[11:1][19].

Relação entre investimento inicial e retorno estimado em cada etapa da produção

Relação entre investimento inicial e retorno estimado em cada etapa da produção

O setor de produtos regionais experimenta crescimento sustentado, impulsionado pelo turismo gastronômico e pela valorização de experiências autênticas[6:2][20]. Empreendedores que incorporam storytelling cultural e técnicas tradicionais conseguem agregar valor significativo aos produtos, justificando margens de lucro entre 200% e 400%[5:4][21].

Integração com Turismo e Tecnologia

O desenvolvimento de rotas turísticas integradas com a produção de tereré cria sinergias econômicas importantes[20:1][6:3]. O uso de tecnologias como Plus Codes facilita a localização de produtores rurais, conectando turistas diretamente com artesãos locais e promovendo economia circular[22][23].

No Mato Grosso do Sul, iniciativas como a marca Genuíno 67 demonstram como produtos derivados do tereré podem ser integrados em estratégias de turismo experiencial, criando valor agregado tanto para produtores quanto para visitantes[20:2]. Esta abordagem fortalece a identidade regional e gera renda sustentável para comunidades rurais[24][25].

Microeconomia Descentralizada e HUBs Produtivos

Modelo de Desenvolvimento Sustentável

A microeconomia do tereré exemplifica princípios de economia descentralizada, onde pequenos produtores operam de forma autônoma mas conectada através de redes de colaboração[26][27]. Este modelo reduz dependências de grandes centros urbanos e promove desenvolvimento territorial equilibrado[24:1][28].

A agricultura familiar, representando 77% dos estabelecimentos rurais brasileiros, encontra no cultivo de cabaça e produção artesanal uma alternativa viável de diversificação de renda[28:1][24:2]. Com produtividade entre 200 e 1.500 frutos em áreas de 1.000m², pequenos agricultores podem gerar receitas complementares significativas.

Impacto na Recuperação Econômica

No contexto da recuperação econômica do Rio Grande do Sul, especialmente após eventos climáticos adversos, a cadeia produtiva do tereré oferece alternativas resilientes[29][30]. O cultivo de cabaça, resistente à seca e com baixos custos de manutenção, adapta-se bem às condições climáticas regionais[12:2][14:1].

A integração entre tradição cultural e inovação econômica posiciona o tereré como vetor de desenvolvimento sustentável, combinando preservação do patrimônio cultural com geração de emprego e renda[8:1][10:1]. Esta abordagem alinha-se com políticas de valorização da agricultura familiar e economia criativa[24:3][25:1].

Perspectivas Futuras e Recomendações

Expansão e Consolidação do Mercado

O potencial de crescimento da cadeia produtiva do tereré é significativo, considerando a crescente demanda por produtos artesanais autênticos e o reconhecimento internacional da cultura mate[31][2:2]. A expansão para mercados externos, especialmente países com tradição em consumo de mate, representa oportunidade estratégica importante[32][7:1].

A consolidação de HUBs produtivos regionais, conectados através de tecnologias digitais e sistemas de rastreabilidade, pode otimizar a distribuição e fortalecer a marca territorial do tereré brasileiro[27:1][22:1]. Esta estratégia beneficia tanto produtores quanto consumidores, garantindo origem e qualidade dos produtos[18:1][21:1].

Sustentabilidade e Inclusão Social

O desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva requer integração entre aspectos ambientais, econômicos e sociais[24:4][33]. Práticas de cultivo orgânico, comércio justo e inclusão de comunidades tradicionais fortalecem a legitimidade cultural e ambiental dos produtos[34][35].

A formação de cooperativas e associações de produtores facilita o acesso a mercados, tecnologias e financiamento, potencializando o impacto econômico e social da atividade[25:2][34:1]. Esta organização coletiva é essencial para enfrentar desafios de escala e competitividade no mercado nacional e internacional[17:1][19:1].

O ecossistema econômico do tereré demonstra como tradições culturais podem ser transformadas em oportunidades econômicas sustentáveis, criando valor compartilhado entre produtores, consumidores e comunidades[3:2][5:5]. A combinação entre autenticidade cultural, inovação produtiva e tecnologia digital posiciona esta cadeia como modelo de desenvolvimento territorial sustentável, especialmente relevante para a diversificação econômica rural e valorização do patrimônio cultural brasileiro[8:2][6:4].

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  1. https://www.chimare.com.br ↩︎

  2. https://viagens.sapo.pt/saborear/gastronomia/artigos/terere-a-bebida-tradicional-de-ervas-do-paraguai-que-agora-e-patrimonio-imaterial-da-humanidade ↩︎ ↩︎ ↩︎

  3. https://sospantanal.org.br/terere/ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  4. https://terereshop.com.br ↩︎ ↩︎

  5. https://www.periodicos.unc.br/index.php/drd/article/view/5147/2263 ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  6. https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/o-comercio-de-produtos-regionais-melhora-a-experiencia-do-turista,5d9849448c976810VgnVCM1000001b00320aRCRD ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  7. https://pt.wikipedia.org/wiki/Tereré ↩︎ ↩︎

  8. https://culturaervamate.com.br/erva-mate-em-tupi-guarani/ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  9. https://culturaervamate.com.br/historia-terere-origem-tradicao/ ↩︎ ↩︎

  10. https://trots.com.br/blogs/novidades/o-terere-como-simbolo-de-nossa-cultura ↩︎ ↩︎

  11. https://www.cnnbrasil.com.br/lifestyle/de-ceramica-a-bordado-como-valorizar-o-artesanato-brasileiro-na-decoracao/ ↩︎ ↩︎

  12. https://hortas.info/como-plantar-porongo-ou-cabaca ↩︎ ↩︎ ↩︎

  13. https://sitioearte.wordpress.com/cabaca-cultivo-a-arte/ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  14. https://www.todafruta.com.br/cabaca/ ↩︎ ↩︎

  15. https://zanline.com.br/collections/chimarrao-e-terere ↩︎ ↩︎

  16. https://www.gauchoescrito.com.br/50-cuias-de-chimarrao-personalizadas ↩︎

  17. http://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/jspui/bitstream/riufcg/34860/1/JOSÉ LUIS ROZENDO BRAZ – DISSERTAÇÃO (PPGA) 2023.pdf ↩︎ ↩︎

  18. https://tlgestao.com.br/como-agregar-valor-ao-seu-negocio-com-produtos-regionais/ ↩︎ ↩︎

  19. https://curitibacriativa.curitiba.pr.gov.br/noticias/detalhes/77062 ↩︎ ↩︎

  20. https://osulmatogrossense.com.br/noticia/19979/de-geleia-de-terere-a-vitrine-do-pantanal-como-uma-chef-esta-reinventando-o-turismo-no-coracao-de-ms ↩︎ ↩︎ ↩︎

  21. https://www.eleconomista.com.mx/el-empresario/Lanzan-primera-tienda-artesanal-con-valor-agregado-20060511-0008.html ↩︎ ↩︎

  22. https://www.paginadepolicia.com.br/noticia/85390/plus-code-o-que-e-e-como-funciona ↩︎ ↩︎

  23. https://www.youtube.com/watch?v=G_W6byqFfe8 ↩︎

  24. https://mandusocial.org/blog/desenvolvimento-de-negocios-comunitarios/praticas-da-agricultura-familiar/ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  25. https://www.codevasf.gov.br/assuntos/inclusao-socioprodutiva/arranjos-produtivos-locais/economia-criativa ↩︎ ↩︎ ↩︎

  26. https://blog.bitso.com/es-ar/finanzas-ar/que-es-la-economia-descentralizada ↩︎

  27. https://www.minenergia.gov.co/documents/11896/06.Hubs_de_hidr%C3%B3geno_verde.pdf ↩︎ ↩︎

  28. https://atlassocioeconomico.rs.gov.br/estrutura-da-producao-e-fundiaria ↩︎ ↩︎

  29. https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/agronegocio/400300-produtores-rurais-do-rio-grande-do-sul-iniciam-mobilizacoes-por-todo-o-estado-sem-data-para-acabar.html ↩︎

  30. https://www.migalhas.com.br/depeso/407200/produtores-do-rio-grande-do-sul-buscam-solucoes-urgentes ↩︎

  31. https://www.agrolink.com.br/noticias/erva-mate-ganha-espaco-no-mercado-regional-e-internacional_494949.html ↩︎

  32. https://matanativa.com.br/mercado-da-erva-mate/ ↩︎

  33. https://rioonwatch.org.br/?p=29609 ↩︎

  34. https://agenciapara.com.br/noticia/67684/feira-de-artesanato-promove-inclusao-e-fortalece-economia-criativa-regional ↩︎ ↩︎

  35. https://www.mac.arq.br/permacultura-nas-favelas-conheca-este-incrivel-projeto-carioca/ ↩︎

Considere: há inúmeras limitações. Sugira apontando

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